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3 dias a navegar no Canal du Midi

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Este ano a nossa viagem em família, que normalmente acontece nas férias escolares da Páscoa, foi para um destino pouco provável e ainda menos turístico – Toulouse e Canal du Midi.

Toulouse só por si merece um post, que fica já prometido, mas para já venho partilhar as minhas impressões e dicas sobre os três dias que estivemos a navegar no Canal du Midi!

O Canal du Midi é Património Mundial da Unesco e é o mais antigo canal marítimo da Europa ainda em funcionamento.

Foi projectado por Pierre Paul Riquet, no séc. XVII, para ligar o oceano Atlântico ao mar Mediterraneo, como sendo uma forma de evitar que os barcos tivessem que navegar em águas abertas, tivessem que passar o estreito de Gibraltar e tivessem que contornar a Península Ibérica.

É navegável entre o rio Garonne, em Toulouse e Sète no mar Mediterrâneo, numa extensão de 240Km.

Ao longo do Canal existem 328 obras como pontes aquedutos e reclusas, pontes essas onde por vezes o barco passa à tangente…

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Actualmente tem funções exclusivamente turísticas, cerca de 50000 pessoas navegam nas suas águas todos os anos, mas não é necessário ter um barco ou ser um experiente marinheiro para se poder fazer o mesmo.

Existem várias empresas que alugam barcos no canal, esses barcos são os chamados “Penichettes” e a parte boa é que nem é necessário ter carta de marinheiro para se poder “conduzi-los”!

O Canal não tem praticamente corrente nenhuma e os “Penichettes” têm uma velocidade máxima limitada a 10 nós por hora.

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Ouvi falar pela primeira vez no Canal du Midi há uns anos atrás, numa revista de viagens, a reportagem tinha imagens maravilhosas que nunca mais me saíram da cabeça…

Em Novembro passado quando vinha de regresso a Lisboa depois de um fim de semana comprido em Vienna de Aústria (ainda hei-de fazer post sobre este fim de semana, assim que os dias começarem a ter 48horas…), a revista de bordo da Tap, a UP (que eu adoro e que tenho a sorte de me chegar a casa todos os meses, tinha como tema de capa Toulouse…)

Ora, depois de ler a revista da frente para trás e de trás para a frente, começou a fazer-se luz na minha cabeça, a descrição de Toulouse era muito simpática, tinha coisas muito interessantes para os miúdos (esta é uma viagem sempre direccionada para eles), e depois de uma quantas pesquisas decidimos que este ia ser mesmo o destino da Páscoa de 2016! E finalmente ia conseguir cumprir o sonho daquela viagem que me tinha ficado em mente e que eu acreditava ser um programa muito giro para se fazer com os miúdos.

E foi mesmo, penso que foi uma viagem que dificilmente se esquecerão!

Há uma frase muito batida, que é “a vida acontece quando saímos da nossa zona de conforto”, embora não concorde a 100%, pois acho que grande parte da nossa vida acontece é todos os dias e na nossa zona de conforto, a verdade é que as coisas que acontecem fora da nossa zona de conforto ficam-nos gravadas para sempre e de uma forma especialmente profunda.

E esta viagem foi isso, saímos TODOS da nossa zona de conforto….Pai, mãe e filhos! Durante três dias dormimos dentro de um barco, cozinhámos dentro do barco e com os ingredientes  que conseguíamos comprar nas aldeias por onde passávamos (não havia espaço para esquisitices…) tomávamos banho dentro do barco numa casa de banho minúscula e com a preocupação de não gastar muita água, pois não sabíamos quando acabava o depósito.

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Relativamente à viagem e as informações que vos podem efectivamente ser úteis:

  • Alugámos o barco através da empresa Locaboat, pois da pesquisas que fiz esta aparecia bem referenciada, mas existem várias, é uma questão de escolha. Com esta correu tudo conforme previsto, nada temos a apontar. A aluguer do barco com todos os extras, seguro, limpeza no final, combustível, ficou por cerca de 1000€.
  • Fizemos o aluguer do barco para 4 dias/3 noites, mas há outras possibilidades em termos de duração. No nosso caso era a primeira vez, não sabíamos o que nos esperava, estávamos com miúdos e queríamos dividir os dias disponíveis entre o barco e Toulouse. Foi sem dúvida a melhor opção.
  • Começámos pelos dias em Toulouse e foi mesmo em Toulouse que apanhámos o comboio para Narbonne. Ida e volta para os 4 ficou por cerca de 120€. Em Narbonne apanhámos taxi para Aragens-Minervois onde era a base da Locaboat de onde iríamos partir.

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Relativamente ao nosso percurso:

Fizemos o percurso Argens-Minervois até Capestang e voltámos a Argens. Daria para ter ido até Colombiers, era a nossa ideia inicial. Mas fomos parando onde nos apeteceu e já não deu tempo de chegarmos a Colombiers, houve sítios que gostámos mais e onde nos demorámos, e a ideia era mesmo essa!

Nós saímos de Aragens na sexta à tarde e a primeira paragem foi em Roubia, a primeira vila do percurso, onde fizemos o primeiro abastecimento de comida e onde atracámos o barco para passarmos a primeira noite.

No dia seguinte, sábado, passámos por Paraza, a vila seguinte, almoçámos e fizemos compras em Le Somail, uma vila absolutamente deliciosa e continuámos a navegar até o sol deixar, pois a navegação noturna é proibida. Nessa noite atracámos o barco no meio do nada, sem nada por perto… confesso que não foi a coisa mais confortável do mundo, pois não se via ou ouvia viva alma e tive um pouco de receio.

No domingo seguimos até Capestang, também uma vila muito bonita e aí não arriscámos descer mais pois queríamos entregar o barco logo na segunda demanhã, pois nesse mesmo dia ainda tínhamos o regresso a Lisboa – Taxi até à estação de Narbonne, comboio até Toulouse, metro e eléctrico até ao aeroporto e avião até Lisboa!!

Passeámos em Capestang, visitámos a Igreja que começou a ser construída no sec. XI, fizemos compras numa mercearia e iniciámos o nosso percurso de volta.

Nessa noite atracámos o barco noutra vila muito simpática, Ventenac en Minervois. Toda esta zona, as margens do Canal du Midi é uma zona vinícola, são quilómetros e quilómetros de vinhas e em todas as vilas há adegas e provas de vinho…

Este percurso tem a grande vantagem de ter uma só eclusa, e esse também foi o motivo de nos terem aconselhado por este e não o que tínhamos em mente. As eclusas, embora não sejam nenhum bicho de sete cabeças, mas requerem alguma perícia e nós éramos absolutamente novatos na coisa… além disto o tempo para passar cada eclusa nunca é inferior a 15/20 minutos e isto é se não estiverem mais barcos à espera.

Inicialmente e ainda em casa quando analisava a informação que a Locaboat nos enviou previamente pelo correio, achava que iríamos navegar no sentido contrário ao que navegámos, isto é saindo de Argens em direcção a Carcassonne. A minha ideia era aproveitarmos para conhecer Carcassonne, mas esse percurso tinha imensas eclusas e com o tempo que tínhamos disponível era impossível conseguirmos chegar a Carcassonne e ainda voltar. Mas na realidade esta alteração de planos em nada beliscou o sucesso da viagem, o percurso que fizemos é lindíssimo!

Deixo-vos com várias fotos e digam-me lá que não tenho razão!!

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Obrigada por lerem!