8 de Março dia Internacional da mulher

  • Porque 3 milhões de raparigas são TODOS os anos sujeitas à mutilação genital, como objectivo último de controlar a sua sexualidade
  • Porque há no mundo cerca de 70 milhões de raparigas a quem é negado o acesso à educação académica
  • Porque há não sei quantos casamentos arranjados entre famílias, que envolvem  meninas com idades em que deveriam estar a brincar às bonecas
  • e por tantas outras coisas mais, que ainda se passam no mundo…

Deixo-vos ainda a lista dos piores países em termos de discriminação de género, ou seja o mesmo é dizer onde os direitos da mulher não existem:

  1. República Democrática do Congo
  2. Somália
  3. Índia
  4. Iraque
  5. Mali
  6. China
  7. Afeganistão
  8. Paquistão
  9. Arábia Saudita
  10. Nepal

Por fim a carta que se tornou viral após a horrenda morte de duas jovens mulheres argentinas que se encontravam a viajar pelo Equador…Marina Menegazzo e Maria José Coni.

“ONTEM MATARAM-ME

Neguei deixar que me tocassem e com um pau rebentaram-me o crânio. Deram-me uma facada e deixaram-me sangrar até morrer. Como lixo, colocaram-me num saco de plástico preto, enrolada com fita adesiva, e fui largada numa praia, onde horas mais tarde me encontraram.

Mas, pior do que a morte, foi a humilhação que veio depois.

A partir do momento em que viram o meu corpo inerte, ninguém perguntou onde estava o filho da puta que acabou com os meus sonhos, as minhas esperanças, a minha vida. Não, preferiram começar a fazer-me perguntas inúteis. A mim, podem imaginar? Uma morta, que não pode falar, que não se pode defender.

Que roupa estava a usar? Por que é que estava sozinha? Por que é que uma mulher quer viajar sem companhia? Foi-se meter num bairro perigoso, estava à espera de quê?

Criticaram os meus pais, por me darem asas, por deixarem que eu fosse independente, como qualquer ser humano. Disseram-lhes que com certeza estaríamos drogadas e fomos à procura, que alguma coisa fizemos, que deviam ter-nos vigiado.

E só morta eu entendi que para o mundo eu não sou igual a um homem. Que morrer foi culpa minha, que sempre vai ser. Porque se o título dissesse “foram mortos dois jovens viajantes” as pessoas estariam a dar as suas condolências e, com o seu discurso falso e hipócrita, com uma falsa moral, pediriam pena máxima para os assassinos.

Mas, como sou mulher, é minimizado. Torna-se menos grave porque, claro, eu estava a pedi-las. Fazia o que eu queria, encontrei o que merecia por não ser submissa, por não querer ficar em casa, por investir o meu próprio dinheiro nos meus sonhos. Por isso e por muito mais, condenaram-me.

E sofri, porque já não estou aqui. Mas tu estás. E és mulher. E tens que aguentar que continuem a esfregar-te na cara o mesmo discurso de “fazer-se respeitar”, de que a culpa é tua quando gritam e querem pegar/lamber/chupar os teus genitais na rua por usares uns calções com 40 graus de calor, de que se viajas sozinha és uma “louca” e muito provavelmente se aconteceu alguma coisa, se espezinharam os teus direitos, tu é que te puseste a jeito.

Peço-te que por mim e por todas as mulheres que foram caladas, silenciadas e que tiveram as suas vidas e os seus sonhos destruídos, levanta a voz. Vamos combater, eu ao teu lado, em espírito, e prometo que um dia seremos tantas que não haverá quantidade de sacos de plástico suficiente para nos calar.”

Guadalupe Acosta

 

Ainda nesta temática recomendo este documentário e este filme:

 

Feliz dia das mulheres para TODAS as mulheres e para TODOS os homens que as respeitam!

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